sexta-feira, 1 de junho de 2012



Voltei ao ciclo reticente
do acordar-levantar-não querer dormir.
Falhando, prossegui.
Tentei reparar o erro
cortei o dedo indicador.


AVISO:
Quando for me falar em língua de não,
Tenha absoluta certeza
Do que cada fonema-semântico representa.

quinta-feira, 31 de maio de 2012


Círculo

Acordei madrigal.
Abrindo os olhos,
Acendi as luzes da retina pálida.
Assim, sem nada, me masturbei
Usando a mão da solidão
E o pensar de flores de cerejeira,
De outrora.
Pus a língua pra fora,
Engoli o próprio esperma.

terça-feira, 29 de maio de 2012


Paro.
abro uma cerveja.
a espuma congelada escorre sobre o seu corpo. Analogias.
sua saliva quando enroscada na palma das minhas papilas. Ácido, açúcar e gelo, por favor!
Corpo cru, vontade de goles. Espero. Paro novamente.
Bebo e em seguida vomito os seus limites e as minhas ânsias de dentes rangendo. Apertando.
Sigo. Levanto do bar. Mijo no canto, marcando território. Sou cão no cio e pronto pra briga.
sento, um amigo pede coração, dilacera-os nos dentes que trituram carne. Corpo. Poesia. com agilidade e esperteza. Observo já cambaleado. Sinto inveja, nasci com o erro irreparável de dentes que rangem quando coração na boca. Falho. sou o mau do meu século. Mutação. Atrofiei no meio do caminho.
levanto, aceno com os braços indicando adeus.
paro no córrego seguinte, abaixado penso em vomitar, mas nada porém. Então sigo com um punhado de liberdade no bolso da calça sem saber o que fazer com ela, sentindo as luzes da cidade acompanhando a minha sombra. Um carro buzina.

segunda-feira, 21 de maio de 2012


Desfragmentou-se toda. Pausadamente respirou fundo aos goles fartos de suspiros. Ia tossir, mas atrapalhou-se e resolveu falar, porém também não deu certo, enganchou-se com a primeira letra. Na verdade fonema. Era um fonema estranho.  Mas só interjeição. Então foi a vez dele levantar. Sentou na cama, olhou pro teto e baixou a cabeça lentamente. Meio sonolento pensou em pegar algo na geladeira, tomar água, dormir assim mesmo, puro gozo. Olhou para ela e disse adeus com os olhos. Ela não entendeu e então sorriu, um choro mudo, mas segurou-se. Levantou, foi fazer um café. Quando voltou estava sozinha com a vasta imagem dos carros na madrugada. Não sabia o que fazer com tanta liberdade.


ao som de Morrissey e o frio frenético do ventilador na madrugada.

quinta-feira, 17 de maio de 2012


E em defesa dos sonhos e de mostrar, cada vez mais, para nós mesmos e para os outros que nos cercam, eu, clichê e cafonamente grito pra não deixar dúvidas:
acredite sim no seu potencial e nos sonhos que desde cedinho você cultiva. E não importa se você é um estudante de letras e ama o que estuda, mas ainda assim não é um dos melhores escrevendo com a ponta da sua língua materna, é um caos academicamente falando, escuta que preferiam ter um irmão que comesse todas as menininhas da cidade e que “tá na hora de arrumar uma namorada” mesmo estando claro que., não importa, seja forte, passe por cima de certas particularidades e siga! Seja você mesmo sendo um monstrinho com tentáculos ou o contrário que não choca. Ame, chore, fique sim trancafiado no quarto e chore mais, PORÉM tenha a noção de que lá fora, mesmo sendo a bosta do caos que é e você sendo obrigado a falar, muitas vezes, com aqueles que são um lixo, saia de casa, atravesse a rua, vire a página, corra no sol, deixe que o seu cão lamba o seu rosto, leve-o TODOS OS DIAS pra fazer cocô fora de casa. Veja besteira na televisão, fique com raiva do senso comum, depois faça uma prova difícil em que fique provado que você faz parte dessa grande massa alienada também e pode ser divertido (mas cuidado, procure SEMPRE superar a sua capacidade de aprender e apreender as experiências, os livros, os gestos, as letras, as pessoas, o sentir). Prove que você consegue ir além, seja tudo, experimente, tenha certezas, rale o joelho no chão, seja masoquista, tire a casquinha depois, até sangrar e doer novamente. Procure encontrar-se dia após dias mesmo que isso culmine na 3ª guerra mundial. Não deixe que te pisem, seja o que você quiser ser. Respeite os filhos da puta e os grandes heróis, os pequenos monstros, x, y, xxy, xyy, o caralho a quarto! Você pode tudo, você é especial, você ama e logo pode ser amado, ver estrelinhas, cruzar os dedos , enlaçados nos dedos do outro, na hora do sono. Seja mais, vá além, retroceda, estagne, mas levante e siga, quando for a hora. Respeite os seus ciclos, tome banho de chuva, desrespeitando a sua mãe e arque com as consequências. Gripe, fotografe o seu nariz escorrendo. Seja o mais incrível, mesmo acreditando que às vezes chorar com filmes e gastar todo o seu dinheiro com páginas de livros possa não te levar a lugar nenhum, arrisque, essa porra! Não fique parado, sorria – mesmo que de lado e com vergonha -, ame, mesmo crendo que não leve jeito pra coisa. dance, pule, fique bêbado e leve broncas, vomite! Seja dúbio, anacrônico, metódico, só não permita que ninguém lhe diga que você não pode fazer aquilo que deseja, mesmo que o seu sonho seja pisar na lua, ser um ator pornô ou escrever um livro que conta as suas loucuras de pessoa inquieta. Navegue, podemos, sejamos, amemos!