domingo, 13 de janeiro de 2013


levantou com uma fresta de luz nos olhos, numa cama que não era a sua; no domingo. Ainda sentia o estômago pesando em decorrência da bebida da outrora madrugada com os amigos. Um chorava mudo pelo antigo amor, parecia um disco de CéU, duas das beijavam-se freneticamente, engoliam-se em puxões de cabelos e olhos que denunciavam lascívia contente e risinhos descarados de excitação, de querer, de variados tons; o último deixou cair os olhos dentro dos copos frenéticos de cerveja, aos goles vários. Comia coração de galinha, triturados fervorosamente nos dentes-navalha, sem pena. Além disso, desmentia toda a música ninguém vai tirar você de mim, do álbum o inimitável, de 1968, pra mim, focado nos meus olhos negros de pupilas escondidas com a máxima verdade e com sorriso de boêmio safado. Bebi água, parei com o álcool, sorri como se fosse brincadeira.

Um comentário:

Analice Lean disse...

Os olhos do eu que passeiam como uma camera na cabeça de uma serpente capturam o momento de multiângulos.