quinta-feira, 30 de agosto de 2012


Burocracias de um corpo em movimento
ao som de Black, Pearl Jam


Às vezes fico pensando que chego a te ferir a pele pelo meu falar e sentir das formas que sei e transmito queimando os lençóis. Já pensei em estancar, em atolar-me nos primeiros buracos, já até pensei em quebrar o celular. Mas só sei ser luminescência, rabo de vagalume ponto cruz no meio do nada escuro, traçando uma jornada invisível. Às vezes arquejo e digo que parei-já. E minutos depois tenho a certeza leve e solar de que já estou em você e por isso não paro, insisto e chego “além do ponto”.  Mania doida de procurar, todos os dias, até mesmo nos mais doloridos. Mania doida de mim, todo dia, encontrar um motivo pra me derramar em ti. Chupar-te em goles máximos e reger os movimentos dos teus sussurros te linguando numa forte fome de mar. Pareço mentira e só sei sonhar, mas prossigo na latência que é o meu querer, que sim, sei, irá resultar em mais estrelas no céu ou 4 vagalumes, 2 andorinhas, um verão completo, que tal!? Seguirei com as cartas que ainda te enviarei, com os trechos dos meus romances tristes e apaixonados de amor e pernas tocando o chão, poesias que viram SMS, nas películas que não encontro pra download em lugar nenhum, mas que me servirão de referências indeléveis, fortificante para os olhos, vibrações das mãos nas teclas do computar (como agora), quando as vir; nos versos e testículos em prosa que já te escrevi a quilos e tu ainda não sabes. Inspiração? Fome de além, eu diria. E no final, ou no finalzinho, eles começam a pender, meios xoxos porque as minhas palavras externas já não conseguem mais aturar o peso dos meus significados extremos e eu sou bastante grafado no grau absoluto - nunca soube mentir quanto a isso -, porque sim, apesar de às vezes haver querência em estancar, sigo-me em tons de abraços fortes, beijos-mais, plural de amanhã.

Um comentário:

Analice Lean disse...

verborragia...contágio.
Entredentes,esses desejos que caminham para o ápice e depois para a calmaria verbal, hormonal, poética.