terça-feira, 27 de março de 2012




Dispersão
meu irmão já apagou as luzes da sala, isso indica que ele vai passar horas escovando os dentes no banheiro do quarto dele e depois vai deitar. Isso também significa que agora sou somente eu com a minha liberdade nas mãos vagando na casa. E então eu pergunto: pra que serve a liberdade mesmo? Agora me contento a vagar na noite à procura de palavras que preencham o espaço vazio do texto em branco. Nesse intervalo de tempo, vou provavelmente escutar algum disco bacana que acabei de baixar, vou revirar os olhos nos quadrados perfeitos do meu quarto. Fechar a porta, deitar na cama, abrir a porta, buscar água, tomar em goles fartos. Deitar. Levantar. Repetir os versos 84 vezes. Esperar o sono com tragos de pequenos desesperos, caso não tenha obtido sucesso com a escrita e preenchimentos de algo que falta por dentro, sendo posto pra fora. Nesse intervalo, o vento artificial da chuva que tanto clamo e nunca vem, bate nas cortinas e eu fico a observar imaginando a ponta das saias de bailarinas dançando com a cara de choro e como se estivessem com alguma dor no estômago. Por que elas dançam assim?

2 comentários:

Luca Almeida disse...

"E então eu pergunto: pra que serve a liberdade mesmo?"

<3

Inevitável, a gente sempre continua disse...

Você é de uma magia bonita.