domingo, 31 de maio de 2009

A "coisa" que não tem nome é chamada de "coisa".


Hoje acordei com uma sensação estranha no peito. A cada passo dado por mim, tanto ainda em casa quanto no chão molhado da rua, meu coração palpitava intensamente pedindo uma coisa: escreva um romance!
Juro que escreveria, juro que te daria de presente e juro que não escolheria as palavras, deixando-o assim, com um caráter mais que perfeito - palavras não selecionadas, jogadas a sorte como dados numa mesa de jogo, a palavra que viesse, seria bem vinda - Eu, simplesmente, escreveria com intensidade, pois quando escrevo, seja de verdade ou de mentira, tento, a cada rabisco no papel, me entregar às palavras, sendo assim, inevitavelmente, por uma força que não sei atribuir um nome correto (vai que nem existe), cada palavra, exatamente cada palavra moldada, no final das contas, se torna Eu. Sou então, desde uma perninha de A a um tilde do i.
O romance não veio, a vontade de escrevê-lo sim, sempre! Ainda assim, romance nenhum saiu.
Mesmo vendo céu nublado, caos e ... o romance não saiu.

domingo, 24 de maio de 2009

Três Narrativas Curtas


A Ele (Do Amor)


Havia pouco tempo em que os dois se conheciam. O primeiro beijo foi de frente para o mar, numa noite de extrema tristeza, mas apesar de tal sentimento norteador de toda a situação que se seguiu com um dos dois, o primeiro beijo tomou forma. Quando os lábios se tocaram, foi como um sonho que se realiza, e a felicidade ao realizar o sonho também foi vivida. Tudo ao redor transmitia tristeza, era como se as nostalgias e daja-vus estivessem de prontidão persuadindo ambos. Apesar de tudo, o primeiro beijo aconteceu. Em seguida mais um, mais um, mais dois, mais alguns. As coisas que se seguiram eram desconhecidas, porém mesmo sabendo que poderiam ser coisas desconhecidas, houve um querer provar. Dias passaram.


A Carta (Do Amor)

Quando Pedro enfim, um dia acabou, leu ainda mais, e sobre a vida Dela. Descobriu que ela sofria de algo que alguns chamam de depressão crônica e a qualquer momento ela poderia se matar. A vida era algo sofrido e conturbado. Tinha ela um marido que a amava, uma casa perfeita, dentre inúmeras outras coisas que fariam qualquer um feliz, porém ela não era, e não era em demasia.
- Somos parecidos! O garoto para todos os movimentos de seu corpo, espanta-se - mas com felicidade- e fala para si, sentado num banco de uma praça, que entre ele e Ela, haviam um mundo de características quase que idênticas.


Ela Nunca Esteve Doente (Do Amor)

Minha primeira namorada se chamava Catarina, tínhamos a mesma idade, estudávamos no mesmo colégio. Quando nos pegaram no momento que acontecia um beijo de frente, próximo a uma fonte onde um anjo em miniatura jorrava água pelas mãos, todos nos condenaram. Uma mulher, superior da escola, conversou conosco, dizendo que estávamos confusas e como éramos adolescentes, aquilo passaria logo em seguida, e nós seguiríamos uma vida “normal”.

domingo, 17 de maio de 2009

Trabalho de Oficina de Criação Literária._.


...Ofélia se encontrava agora num espaço fechado, não abafado, de quatro lados iguais.
Entrara ela no espaço por engano, mas ainda assim não deixou de perceber cada detalhe - que seus olhos foram capazes de observar mesmo que por fração de segundos - exposto naquele lugar. Não era bonito, mas chamava-lhe bastante atenção.
Era branco, assim como leite de vaca tirado na hora.
Mesclava-se em tons de cinza e amarelo no chão (Cores que não agradavam a menina).
O chão não era algo para agradar.
No local, cores diversas: pontos de tinta azul distribuídos por todo o espaço. Azul com partes pretas, ambas imóveis. Sentou ela num desses pontos pintados, imóvel ficou olhando para sua frente.
A sua frente: algo de, mais cor branca, fixo e num lugar alto. Não lembrava mais leite.
A iluminação era diferente naquele lugar. Era diferente por conta do sol que entrava calmamente pela parte quase transparente que havia no fundo do espaço de 4 lados. Juntamente a essa parte, haviam protetores - Amarelo cor de creme apodrecido-, que funcionavam como retardadores de raios solares, e faziam com que a parte transparente não fosse tão transparente assim, atrás das paredes do fundo.
Grudado em tais paredes, havia também vento e frio produzido artificialmente. Um pouco desagradável. O pior era quando o espaço não produzia nenhum som... Daí ficava frio e silencioso.
Ofélia por um minuto percorreu o espaço de quatro lados iguais. Viu gente e viu silêncio. Viu objetos na gente. Gente: alguns exemplares estranhos.
Ofélia parou e pensou:


Como é possível dar nomes às cores?
Se aos poucos parecem tão abstratas
Cada vez menos sensatas e exatas
E nos meus olhos, apenas bolores?
...