Eu Estou Morrendo.
domingo, 25 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Sem Título
Amar você é a minha segunda maior verdade que anda lado a lado com a primeira verdade que é o ato de escrever.
Hoje, Literalmente, meu coração se transformou em letrinhas e terei a atrevida coragem de te entregar meu coração decodificado em pequenas partes, como já fiz outras vezes.
domingo, 18 de outubro de 2009
Domingo dia Não - página 43
Acordei Não. Eu infelizmente lutei comigo mesmo para acordar no máximo menos Não ou algo que beirasse uma pontinha de quase Sim, mas não consegui, acordei Não. Um Não pesado que se arrasta no chão, se quer se movimentar, um Não que não fala, expele sons guturais assustadores...
Hoje é dia Não.
domingo, 11 de outubro de 2009
Domingo
Hoje é domingo. O dia está frio, a Tv só exibe alienação. A família parte pra cima da alienação, com muita fome. Eu me tranco no quarto, estudo um pouco sobre Marcel Duchamp, olho para os lados... O vazio estrondoso é meu companheiro e só ele é. Milan Kundera me chama na cama, e Clarice está olhando pra mim na estante. Porém, de todos eles a me chamar, o Vazio quem ganha a disputa. E como um louco, procuro remédios para poder dormir bem mais rápido e só acenar de longe para o domingo, mas estou proibido de tomar qualquer coisa, não é? Afinal, sou o suicida oficial da família. Blah, Blah, Blah.
Enfim, que o domingo de vocês seja.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Página 41
E finalmente quando deitei o meu corpo por completo na cama, eu pensei, liberando o ar do meu cérebro com rispidez. Fui consumido por vários pensamentos a me devorar, inclusive pensei sobre o ato de sofrer. Cheguei à conclusão de que eu nem sofrer sei, sabia? Tem-se que sofrer com a inteligência, a dor não pode tomar conta, ela não deve ditar as regras. A inteligência serve para que a dor só nos visite em casa uma, ou quem sabe, duas vezes no máximo. Sofrer demasiadamente é burrice e me afeta tanto saber disso porque não sou nenhum pouco inteligente. Eu nem sei sofrer, e isso me desconstrói. Eu queria ser trivial, milimetricamente trivial, e não ter o sofrer como vizinho.
Quero ser bicho solto na mata, quero pertencer ao meu habitat natural, quero ser prazer sem dor, como um viciado em cigarros baratos que traga todas as vezes o peso da fumaça mortífera em seu maior grau de prazer (morrendo e não se sentindo), seja ele momentâneo ou não. Quero ser o fumante e o próprio cigarro equilibrado na boca com graciosidade. Quero ser tragado até o último grau da morte em silêncio de prazer, e com o término, gozar da forma mais gratificante, faltando ar no corpo, sendo abandonado pela presença da voz, estando na cama deitado com a respiração longe e com os espermatozóides fincados dentro do outro.
Eu não sei quem eu sou e temo pungentemente que demore bastante tempo para eu descobri quem sou ou o que vem a ser eu. Eu só consigo saber quem eu queria ser e o estar sendo é um enigma tão desinteressante no momento para querer-se investigar a fundo que nem me dou ao trabalho de dedicar pensamentos a isso. Estar sendo é cor transparente, é água límpida e gelada que pode cortar a pele. Ter medo de ser é mais um para o meu repertório de medo. Estão todos guardados no fundo da minha gaveta, mas não estão trancafiados. O medo não é transparente, é furta cor.
Qual seria a minha cor por dentro, escura ou clara? Incolor? A dificuldade do incolor é que não se consegue pegar com as mãos, escorrega facilmente por entre os dedos, não é algo vivo.
Creio ter me equivocado no que acabei de falar. Creio que foi mais um engano já que minha mente tem trabalhado com dificuldade. Eu sou isso – mesmo não sabendo o que o isso significa ainda. Eu sou isso que sou e não sei fingir, então, sempre e sempre eu serei o isso que sou. Ser isso é inerente a mim mesmo. Devo sentir agora um grande alívio por saber que sou isso?
(ao som de ATAXIA - THE SIDES)
(ao som de ATAXIA - THE SIDES)
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Página 39
Humor do amor.
A sala é uma cela.
Ser é paradoxal.
Vem vento me leva,
Levanta, lava e me livra do mundo.
O vento não vem.
Amor sem Humor.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Página 50
"Num sopro leve, mas que no fundo deveria ser uma explosão, D. consegue levantar a cabeça, olhar bem fundo nos olhos de F. e falar (e dai por diante, nada mais foi controlado,tudo simplesmente aconteceu):
- Dei-te mais de 50.000 palavras. Palavra é o meu Eu mais intenso que entrego ao outro. O silêncio novamente paira, mas no fundo D. clamava para que o silêncio vindo do outro se revertesse em dizeres de proporções pesadíssimas, como por exemplo "Eu nunca disse, mas talvez a importância de tudo seja o fato de você ter me dado brecha pra tornar-me humano. É, foi você que me permitiu ser gente". Mas nada disso aconteceu e novamente um gole cabal de silêncio foi ingerido".
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